A falta de profissionais qualificados segue como um dos principais gargalos da indústria brasileira. Pensando nisso, Gerdau e Ânima Educação uniram forças para lançar um curso superior inédito voltado à cadeia siderúrgica.
Com início previsto para agosto de 2026, a formação promete combinar teoria e prática em 2.600 horas de aulas semipresenciais, oferecendo 40 vagas — 30 totalmente custeadas pela gigante do aço. Confira os detalhes a seguir.
Nova graduação conecta indústria do aço e academia
Maior produtora nacional de aço, a Gerdau enxergou na parceria com a Ânima Educação uma forma de atacar, de uma só vez, dois desafios: suprir a própria demanda por mão de obra e gerar impacto social em Minas Gerais, onde mantém sua maior usina, em Ouro Branco.
O resultado foi o Curso Superior de Tecnologia em Processos Produtivos da Indústria do Aço, desenvolvido pela UNA, em Conselheiro Lafaiete (MG). A proposta faz parte do Programa Engenheiros do Amanhã, iniciativa da empresa para identificar, formar e reter talentos em engenharia, metalurgia e materiais.
Segundo a diretora global de Pessoas e Responsabilidade Social da companhia, Flávia Nardon, o projeto materializa um compromisso histórico com educação e desenvolvimento humano. A Ânima, por sua vez, reforça que a graduação aproxima o currículo acadêmico das competências exigidas pelas plantas industriais.
Como funciona o curso da indústria do aço
A formação é estruturada em seis semestres, totalizando 2.600 horas divididas entre aulas online, encontros presenciais e atividades em ambiente fabril. O desenho curricular mescla disciplinas tradicionais de exatas com conteúdos específicos da siderurgia.
Entre os temas, destacam-se matemática aplicada, cadeia produtiva do aço, operação e manutenção industrial, automação, análise de dados, segurança, inovação e metodologias ágeis. O modelo D.U.A.L.E. — Discover, Understand, Accelerate, Launch & Learn, Exchange — será usado para colocar os estudantes diante de desafios reais desde o primeiro semestre.
Além de laboratórios na UNA, parte do aprendizado ocorrerá dentro das instalações da Gerdau, garantindo contato direto com processos de alto-forno, laminação e controle de qualidade. O formato semipresencial também facilita a participação de alunos que já trabalham e buscam qualificação.
A expectativa é que o egresso tenha visão abrangente da cadeia, capacidade de otimizar processos e familiaridade com tecnologias emergentes, requisitos cada vez mais importantes num setor pressionado por digitalização e metas de sustentabilidade.
Quem pode concorrer às vagas gratuitas
Das 40 vagas abertas, 30 receberão bolsa integral da Gerdau. A divisão ficou assim:
- 20 bolsas para colaboradores da empresa;
- 10 bolsas para familiares de colaboradores ou participantes de projetos sociais apoiados pela siderúrgica;
- 10 vagas restantes para o público geral, sem subsídio.
Ao custear a maior parte da turma, a companhia busca democratizar o acesso à educação superior em uma região estratégica para suas operações. A iniciativa também dialoga com outras ações inclusivas, como programas focados em mulheres e jovens em início de carreira.
Para candidatos externos, o curso representa chance rara de ingressar em um segmento com salários competitivos e forte demanda. Já colaboradores contemplados poderão acelerar o crescimento interno, alinhando formação acadêmica às rotas de desenvolvimento oferecidas pela empresa.
Processo seletivo e calendário oficial
Interessados devem ficar atentos: as inscrições acontecem on-line pelo portal da UNA entre 28 de maio e 17 de junho de 2026. A seleção inclui prova virtual em 20 de junho, divulgação das notas em 24 de junho, etapa de entrevistas e resultado final em 13 de julho.
O exame mede conhecimentos básicos de matemática, física, lógica e interpretação de texto. Já a entrevista busca avaliar motivação, afinidade com tecnologia e disponibilidade para aulas presenciais.
Após a matrícula, as atividades começam em agosto. Os encontros presenciais ocorrerão em Conselheiro Lafaiete, com visitas técnicas periódicas à usina de Ouro Branco e a outros parceiros da Ânima Educação. Para quem mora fora da região, a modalidade híbrida minimiza deslocamentos, mantendo flexibilidade sem abrir mão de vivência prática.
O Uni10 apurou que a empresa estuda ampliar turmas futuras a partir dos resultados obtidos nesta primeira experiência. Portanto, mesmo quem não conquistar vaga agora pode se beneficiar da iniciativa em ciclos posteriores.
Vale a pena apostar no curso da indústria do aço?
Com bolsa integral para a maior parte das vagas, currículo alinhado ao mercado e acesso direto às operações da maior produtora de aço do país, o curso da indústria do aço surge como porta de entrada estratégica para quem mira carreira em engenharia de processos, manutenção ou automação industrial. Para profissionais que já atuam no setor, a formação agrega visão sistêmica e atualização tecnológica em um cenário cada vez mais digital.
