A indústria do aço vai ganhar reforço significativo a partir de 2026. A Gerdau, maior produtora de aço do país, e o ecossistema Ânima Educação uniram forças para lançar um curso superior de tecnologia focado nos processos produtivos do setor.
Com apenas 40 vagas e duração de três anos, a graduação combina teoria e prática desde o primeiro semestre, mirando em uma lacuna antiga: a escassez de técnicos e engenheiros com vivência real de chão de fábrica.
Formação conecta academia e chão de fábrica
Batizado de Curso Superior de Tecnologia em Processos Produtivos da Indústria do Aço, o programa será oferecido pela UNA, em Conselheiro Lafaiete (MG), cidade próxima ao polo siderúrgico da Gerdau em Ouro Branco. A escolha do município não foi aleatória. A região concentra operações estratégicas da companhia e carece de mão de obra qualificada.
Segundo a diretora global de Pessoas e Responsabilidade Social da Gerdau, Flávia Nardon, a criação do curso responde diretamente às demandas do mercado. “Precisamos de profissionais que cheguem prontos para lidar com automação, segurança e análise de dados dentro das usinas”, afirma.
Como funciona o curso de processos produtivos
A graduação será semipresencial, somando 2.600 horas distribuídas em seis semestres. Parte do conteúdo acontecerá em laboratórios da UNA; outra parte, nas instalações da Gerdau, o que garante contato constante com equipamentos industriais reais.
O currículo foi desenvolvido em parceria pelas equipes técnicas das duas instituições. Entre as disciplinas destacam-se:
- Matemática, física e química aplicadas à siderurgia;
- Cadeia produtiva do aço, do minério ao produto final;
- Operação, manutenção e segurança industrial;
- Automação, análise de dados e metodologias ágeis;
- Gestão de processos, inovação e responsabilidade socioambiental.
Para tornar o aprendizado mais dinâmico, o curso adotará a metodologia D.U.A.L.E. (Discover, Understand, Accelerate, Launch & Learn, Exchange), que estimula o estudante a resolver desafios práticos desde o início. Assim, o conhecimento passa da sala de aula para a linha de produção em tempo real.
Quem pode concorrer às 40 vagas
O processo seletivo reserva 30 vagas totalmente financiadas pela Gerdau. Desse total, 20 serão destinadas a colaboradores da própria companhia; 10 ficarão para familiares de empregados ou para participantes de projetos sociais apoiados pela empresa. As outras 10 vagas custeadas estarão abertas ao público em geral.
As 10 oportunidades restantes serão pagas pelos próprios alunos, mas mantêm o mesmo acesso a laboratórios, visitas técnicas e mentoria de especialistas. Todas as vagas exigem conclusão do ensino médio e aprovação no vestibular da UNA.
A iniciativa faz parte do programa Engenheiros do Amanhã, criado pela Gerdau para atrair e desenvolver talentos em metalurgia, materiais e áreas correlatas. Para o Uni10, o projeto chama atenção pela estratégia de aproximar formação acadêmica e necessidade empresarial, algo que muitos setores ainda buscam.
Cronograma e metodologia de seleção
Os candidatos poderão se inscrever on-line entre 28 de maio e 17 de junho de 2026. A primeira etapa será uma prova digital marcada para 20 de junho. O resultado sairá em 24 de junho, quando os aprovados seguirão para entrevistas individuais.
Após análise de perfil e documentação, a lista final será divulgada em 13 de julho. As aulas começam em agosto, com encontros presenciais em Conselheiro Lafaiete e atividades virtuais via plataforma da Ânima Educação.
Ao longo do curso, os estudantes terão acesso a mentores da Gerdau, projetos de pesquisa aplicada e estágios supervisionados dentro das usinas. Essa imersão prática pretende acelerar a absorção de conceitos como manutenção preditiva, Internet das Coisas Industrial (IIoT) e uso de dados para otimização de processos.
Vale a pena se inscrever?
Para quem busca carreira em um dos pilares da economia brasileira, a resposta tende a ser positiva. Além da forte demanda por profissionais qualificados, o fato de 30 vagas serem gratuitas reduz a barreira financeira. A combinação de aulas presenciais, conteúdo on-line e prática em planta industrial oferece experiência rara ainda na graduação.
Com inscrições abertas até junho de 2026, a nova formação pode representar a porta de entrada para uma área que segue vital em construção civil, mobilidade e infraestrutura nacional.
