A falta de profissionais especializados continua a desafiar a siderurgia brasileira. Para enfrentar esse gargalo, Gerdau e Ânima Educação anunciaram uma graduação tecnológica criada sob medida para o setor, com início previsto para agosto de 2026.
Com 40 vagas e 2.600 horas de aula, o novo curso da indústria do aço será oferecido pela Una, em Conselheiro Lafaiete (MG), e chega com a promessa de alinhar a formação acadêmica às demandas práticas das usinas.
Por que um curso da indústria do aço agora?
Indústrias de base relatam dificuldade crescente para preencher funções que exigem competências técnicas em automação, análise de dados e manutenção. No caso da siderurgia, o problema é ainda mais agudo: boa parte dos processos produtivos trabalha em regime 24 h, envolvendo equipamentos de alta complexidade e padrões de segurança rígidos.
Segundo números divulgados pelo setor, vagas permanecem abertas por meses, gerando custos extras e perda de produtividade. Diante desse cenário, a parceria entre a maior produtora de aço do país e um dos maiores grupos de ensino superior surge como resposta direta à escassez de mão de obra qualificada.
Detalhes da nova graduação tecnológica
O curso da indústria do aço será ofertado em formato semipresencial, distribuído em seis semestres. A carga horária total de 2.600 horas combina aulas teóricas, atividades práticas em laboratório e visitas a unidades da Gerdau na região.
O currículo foi elaborado conjuntamente por engenheiros da empresa e docentes da Ânima, contemplando:
- Matemática, física e química aplicadas aos processos siderúrgicos;
- Cadeia produtiva do aço, do alto-forno à laminação;
- Automação, robótica e sensores industriais;
- Gestão de processos e metodologias ágeis;
- Segurança, saúde ocupacional e responsabilidade socioambiental.
A proposta visa formar profissionais com visão sistêmica, aptos a atuar em diferentes etapas da produção, reduzir perdas e implantar melhorias contínuas.
Metodologia D.U.A.L.E. aproxima a sala de aula da usina
Um dos pontos fortes da graduação é a adoção do modelo D.U.A.L.E. (Discover, Understand, Accelerate, Launch & Learn, Exchange). O estudante mergulha em problemas reais desde o primeiro semestre, acessa dados de operação, participa de desafios de inovação e apresenta soluções a gestores da siderúrgica.
Além disso, disciplinas focadas em pensamento crítico, análise preditiva e transformação digital ajudam a desenvolver habilidades valorizadas por empresas que já investem em Indústria 4.0. Essa estratégia pedagógica reflete a busca por profissionais capazes de antecipar tendências e propor melhorias sustentáveis para o negócio.
Processo seletivo, bolsas e quem pode concorrer
As inscrições para a primeira turma ficarão abertas de 28 de maio a 17 de junho de 2026, de maneira totalmente online, pelo site da Una. A seleção inclui prova objetiva em 20 de junho, divulgação de notas em 24 de junho e entrevistas finais antes do resultado, marcado para 13 de julho.
Das 40 vagas, 30 serão custeadas integralmente pela Gerdau. A distribuição prevê 20 oportunidades para colaboradores, 10 para familiares ou participantes de projetos sociais apoiados pela empresa e 10 abertas à comunidade. Quem não obtiver bolsa poderá disputar as outras 10 vagas pagas ou se candidatar a financiamento estudantil.
Curso da indústria do aço: vale a pena se inscrever?
Profissionais formados nessa graduação tecnológica terão contato direto com a operação de uma das maiores siderúrgicas do mundo, networking com especialistas da área e possibilidade de contratação ao término do curso. Para quem busca carreira na indústria de base, o projeto desponta como caminho rápido para adquirir experiência prática e habilidades alinhadas às exigências do mercado.
A iniciativa da Gerdau e da Ânima também reforça o compromisso do Uni10 em divulgar programas que ampliam o acesso à educação profissional, estimulam a inovação e impulsionam a competitividade da economia brasileira.
