O Exame de Ordem OAB segue sendo a principal porta de entrada para quem pretende atuar como advogado no Brasil. Três edições anuais, duas fases eliminatórias e apenas cinco horas para resolver 80 questões compõem o desafio que mobiliza milhares de bacharéis em Direito.

    Embora o índice médio de aprovação varie entre 15% e 25%, a aprovação é possível com método. A seguir, o Uni10 detalha como funciona cada etapa, quais disciplinas merecem atenção, o cronograma de inscrições e as táticas que mais rendem pontos.

    Estrutura do Exame de Ordem OAB

    Aplicado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Exame de Ordem OAB apresenta duas fases obrigatórias. Na primeira, o candidato responde a 80 perguntas objetivas em cinco horas. O conteúdo aborda 20 disciplinas, com foco na literalidade da lei. Para avançar, é preciso acertar pelo menos 40 itens.

    Quem atinge essa pontuação segue para a segunda fase, a prova prático-profissional. Nela, o examinando redige uma peça processual dentro de sete áreas à escolha – Civil, Penal, Trabalho, Empresarial, Constitucional, Tributário ou Administrativo – e soluciona quatro questões discursivas. A nota máxima é 10, sendo necessário obter 6.

    A FGV permite a consulta à legislação seca na etapa prática, mas proíbe anotações extensas, marcações coloridas e comentários. Post-its neutros apenas para separar códigos costumam ser aceitos, conforme o edital.

    Desde a troca de banca em 2017, a prova ficou mais extensa e detalhista. Enunciados longos, prazos específicos e exceções legais aparecem com frequência, tornando indispensável o domínio do padrão FGV.

    Disciplinas mais cobradas e pesos na prova objetiva

    A distribuição de questões orienta qualquer cronograma de estudos. Direito Civil lidera com nove perguntas, seguido por Ética Profissional (oito), Direito Penal (sete) e, empatados, Direito Constitucional e Processo Civil (seis cada). Juntas, essas áreas correspondem a quase 45% da primeira fase.

    As demais matérias surgem com duas a cinco questões cada, mas garantem pontos decisivos. Direitos Humanos, Estatuto da Criança e do Adolescente e Filosofia do Direito, por exemplo, mantêm nível moderado de dificuldade e podem elevar a nota de quem domina a letra da lei.

    Casos práticos sobre obrigações e contratos em Civil, crimes contra o patrimônio em Penal e controle de constitucionalidade em Constitucional são recorrentes. Em Ética, é fundamental ler integralmente o Estatuto da OAB (Lei 8.906/94) e o Código de Ética.

    Vale ressaltar que a FGV costuma incorporar normas recentes: qualquer atualização publicada até seis meses antes da prova já pode aparecer no exame.

    Estratégias de estudo para a 1ª e 2ª fases

    Planejamento é o diferencial entre reprovação e aprovação. Especialistas indicam iniciar a preparação priorizando as disciplinas de maior peso, sem abandonar as de menor incidência. Combine teoria com resolução de questões e adote ciclos de revisão a cada 7, 15 e 30 dias para fixar o conteúdo.

    Simulados completos, cronometrados em cinco horas, treinam o ritmo da primeira fase. Para a prova prático-profissional, o ideal é produzir duas peças processuais por semana desde o início da preparação. Esse treino reduz o risco de escolher a peça errada ou cometer falhas estruturais.

    Mantenha o código da área escolhida à mão e use divisórias discretas para localizar artigos rapidamente. Nas peças, cite dispositivos legais, súmulas e precedentes obrigatórios. Quem possui 12 semanas disponíveis pode dividir o cronograma assim:

    • Semanas 1 a 4: construção da base teórica e leitura da legislação seca;
    • Semanas 5 a 8: aprofundamento de temas complexos e início de simulados;
    • Semanas 9 a 12: revisões intensas, provas anteriores completas e treinos de velocidade.

    Para variar o estudo e ampliar oportunidades, muitos candidatos acompanham outros certames jurídicos. O concurso da Assembleia Legislativa do Ceará, por exemplo, exige diversas matérias semelhantes às cobradas no Exame de Ordem OAB.

    Prazos de inscrição, repescagem e recursos

    O edital costuma ser publicado de 60 a 90 dias antes da primeira prova. As inscrições ficam abertas por período reduzido; a taxa gira em torno de R$ 295, mas pode variar. Entre a primeira e a segunda fase, o intervalo médio é de 30 a 60 dias.

    Quem reprova na peça processual ou falta à segunda fase pode aderir à repescagem, mecanismo que permite refazer apenas a parte prática na edição seguinte. A aprovação na objetiva, no entanto, vale exclusivamente para a prova subsequente.

    Se o candidato encontrar erro no gabarito ou na correção da peça, há até três dias úteis após o resultado preliminar para interpor recurso. O argumento precisa basear-se em lei, doutrina ou jurisprudência consolidada.

    Mesmo com o índice de aprovação abaixo de 25%, milhares conquistam a carteira anualmente. Parte desse sucesso vem de orientações coletadas em cursos preparatórios e materiais gratuitos disponíveis na internet. Quem mantém ritmo de estudo constante também sai na frente em concursos como o da Polícia Rodoviária Federal; o novo pedido de 511 vagas pode ser acompanhado neste link.

    Vale a pena prestar o Exame de Ordem OAB?

    Para quem deseja advogar, o Exame de Ordem OAB é requisito legal. Além de garantir a atuação plena, a preparação consolida a base jurídica útil em seleções como juiz, promotor ou defensor. A aprovação ainda amplia possibilidades em órgãos que exigem registro, aumentando a competitividade em processos seletivos futuros.

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    Redator e jornalista com mais de 5 anos de experiência no mercado de conteúdo digital, acumulando passagens por grandes portais como Cultura Genial e Conrio. Especialista em transformar informações complexas em textos acessíveis, hoje dedica sua expertise ao Uni10, onde ajuda brasileiros a transformarem suas realidades por meio de dicas estratégicas para concursos e o mapeamento dos melhores cursos gratuitos em todo o país.